Bye, Chuck

No último dia 27 de janeiro, Chuck Bartowski e amigos embarcaram em sua última aventura na telinha. Quando o final foi exibido, eu estava três episódios atrasada, mas isso foi até bom. Os roteiristas criaram um arc na trama justamente entre esses episódios e fez muito sentido assisti-los em seguida. Meu maior problema foi começar esse arc à meia-noite de um sábado. Fui dormir mais de três da matina com os olhos inchados e a garganta raspando de tanto soluçar. É irônico perceber que me emocionei tanto com o final de uma série considerada comédia.
“Chuck” nunca foi uma série imperdível, daquelas que você indica para todo mundo assistir. Sim, eu cheguei a indica-la, mas, depois de um tempo, percebi que não era do tipo que agradaria a todos. Alguns diriam que ela é bobinha, e era mesmo, mas eu nunca a assisti pela maestria do roteiro ou profundidade das interpretações. Ela era muito divertida, relaxante e completamente distante da realidade. Nas palavras de seu criador, Josh Schwatz (em seu artigo de despedida para a Entertainment Weekly): “O que impediu Chuck de se tornar um sucesso passageiro foi a mesma coisa que fez aqueles que o amaram tão comprometidos: uma mistura de gêneros – de espionagem à ficção científica à comédia romântica – com um coração devotado aos seus personagens e uma alma encharcada na cultura geek dos filmes de verão dos anos 80. Bem, tudo dos anos 80″. E essa fórmula dava muito certo.
Porém, meu ponto fraco de “Chuck” (tirando a presença de Zachary Levi e seu adorável protagonista) sempre foi único: o casal Chuck & Sarah, o tímido nerd e a sexy agente secreta. Foram eles que me fizeram parar na frente do PC durante 40 minutos durante 5 anos. Eu os vi se conhecendo, tornando-se amigos, se apaixonando, não admitindo o que sentiam, ficando com outras pessoas, e então finalmente juntos, noivando, casando, fazendo planos para o futuro… Eles me fizeram rir, chorar, passar raiva, suspirar… E não seria diferente perceber que toda a emoção que senti neste final foi por causa deles.
Dias atrás estive em um encontro com amigas fanáticas por séries e shippers de carterinha (como eu!), e, entre tantas discussões, falamos sobre o final de “Chuck”. Foi interessante perceber que existiam opiniões divergentes: algumas adoraram e se emocionaram muito com o desfecho, outras não gostaram da incerteza do final. Sim, o final aberto é algo frustrante, porque nunca sabemos se o que imaginamos realmente aconteceu. Porém, da maneira como foi feita, não deixou dúvidas: de qualquer maneira, Chuck e Sarah ficariam juntos e é isso que importa. Se Sarah não recuperou a memória após o beijo, ela certamente já estava se apaixonando por Chuck novamente. Como naquele filme com Adam Sandler, Chuck trabalharia diariamente, se fosse preciso, para fazer com que ela se apaixonasse por ele over and over again. E assistir esses personagens retornarem a todos os cenários que marcaram sua história de amor, principalmente aquela praia… “Trust me, Sarah”, desta vez dita por Chuck. A reversão de papéis… Foi demais para esse coração.
A primeira vez que escrevi sobre “Chuck” foi em outubro de 2007 e eu estava empolgada para mergulhar no mundo de um nerd perseguido por “segredos governamentais, agentes da CIA e matadores de aluguel”. Hoje, 5 temporadas depois, posso afirmar que tenho orgulho de ter acreditado em meu instinto. Orgulho de ter acompanhado as aventuras de Chuck, Sarah, Casey, Morgan e todos aqueles adoráveis personagens. Orgulho de fazer parte de uma fanbase tão ativa, que manteve o show no ar durante esse tempo todo. Orgulho de ser nerd. Agora eu quero minha camiseta!
Logo após o último episódio ser exibido, Zach apareceu ao vivo via Skype para conversar com fãs reunidos em Nova York (sério, às vezes eu tenho dúvidas se ele é real mesmo?) e, dois dias depois, postou como se sentia após o final:

Não faça isso, Zach. Não faça referências a Jack Shephard que eu não aguento. Eu ando me despedindo de muitas coisas ultimamente…
Amanhecer – Parte I

Pois é… Mesmo após ter escrito um post sobre como detestei o livro e considerar se deveria mesmo gastar meu precioso tempo e dinheiro, eu assisti ao filme. Duas vezes, para ser bem honesta. Sabe como é… Por mais que eu não tenha mais aquele frenesi pela saga, a curiosidade ainda existe.
Foi péssimo ver retratado na tela tudo o que não gostei no livro. A trama, as cenas, as frases… Tudo o que um verdadeiro fã deve ter adorado me fez rolar os olhos. Detesto quando eu reajo desta maneira, mas não consegui ficar imune. Nem queria postar sobre isso, mas eu escrevi sobre os dois filmes anteriores e queria manter a tradição.
Talvez por que estava ligeiramente irritada, comecei a ver defeito em tudo. Pela primeira vez achei todo mundo feio. Kristen Stewart estava muito abatida na cena do casamento (talvez por causa do pesadelo que teve, mas Bella parecia doente). Robert Pattinson, o que você fez com seu cabelo? O mesmo vale pra Carlisle (Peter Facinelli) e Alice (Ashley Greene). WTF, people??? Taylor Lautner tentou dar um estilo relaxado para Jacob, mas como deixar a “barba por fazer” quando nem barba se tem direito? Os únicos que melhoraram foram Jasper (Jackson Rathbone), que deixou de ser um manequim de loja, e Rosalie (Nikki Reed), que trocou a descoloração total por mechas loiras e ficou mais sutil.
Como eu suspeitava, eles não deviam ter dividido a história em dois filmes. Eu sei que os fãs surtam com a oportunidade de irem mais vezes ao cinema (e os produtores ainda mais, pelo faturamento), mas não tem história para tanto. A primeira parte não tem lá muita ação, por isso concentraram todo o potencial nos momentos entre Edward e Bella. Eu realmente não me lembro da lua de mel ser tão extensa no livro, nem de Edward ter tanta participação na história inteira. Que bom, pois esta foi a melhor parte do filme.
O casamento foi muito lindo! Adorei o vestido de Bella e toda a decoração com flores brancas. Tudo muito bucólico, delicado, romântico… Perfeito. Melhor momento: os discursos foram muito engraçados! E antes que eu me esqueça: Charlie Swan, I love you. Billy Burke é provavelmente o melhor ator da saga e aqui demonstrou todo o conflito do personagem, sem deixar de ser sarcástico e divertido.
Finalmente, a lua de mel! Brasil-sil-sil! O grande momento de glória de nosso país foi meio que decepcionante, não? Que Rio de Janeiro é aquele que eu não conheço? A rua lotada de gente sambando, se pegando sem o menor pudor… Eu nunca estive no bairro da Lapa, mas tenho certeza que aquilo só acontece durante o Carnaval, e olhe lá! Aquela imagem foi tão clichê que me deu vergonha alheia. E é claro que a caseira da ilha tinha que ser uma índia usando roupas quase tribais, porque é suuuuper comum encontrar isso por aqui. [/sarcasm]
Pelo menos a beleza natural do lugar foi muito bem retratada, e foi divertido pacas ouvir Robert Pattinson enrolar a língua para falar português. Só não entendi porque na versão dublada substituíram sua voz. Se ele já fala em português no original, pra quê dublar? (Sim, eu assisti uma vez dublado. Kill me.). A propósito: alguém mais riu ao ver Edward usando bermuda? *giggles*

A primeira noite do casal, convenhamos, é um tanto constrangedora. Todo o clima hot desaparece quando ele quebra a cama. Eu sei que é por causa de sua enorme força, mas, mesmo no livro, eu não sabia se ria ou enfiava a cara no travesseiro. Porém, quando Bella tenta fazer com que Edward transe com ela de novo e começa aparecer de lingerie na frente dele, provocando… Aí sim! Aliás, toda essa parte em que eles exploram a ilha e jogam xadrez (bela analogia, Melissa), enquanto ela tenta seduzi-lo, foi muito fofa e natural. Talvez, por isso, eu tenha reconhecido mais Kristen e Rob do que Edward e Bella.
Meu coraçãozinho shipper adorou a cena entre Jacob e Leah. Shippei muito forte nos livros e continuo shippando, mesmo sabendo o final. Tanto potencial jogado fora… Detesto essa história de imprinting em Renesmee, acho uma palhaçada. Já minha mãe chorou na cena e achou a coisa mais linda. Mom ships it.
Que mais? A maquiagem/efeito especial em Kristen durante a gravidez foi muito bem feita e é um dos pontos altos técnicos do filme. Por outro lado, essa é a parte que eu mais detesto da história, e torná-la tão real me deixou mais revoltada. E nem vou comentar sobre a cena do parto por que, né, pra que estragar o momento?
Agora tragam logo os Volturi para acabar logo com essa história! “Amanhecer – Parte 2″ estreia nos cinemas em 16 de novembro.
Downton Abbey
Continuando com meu novo slogan “Troque uma série desgastada por uma nova em folha”, em um chuvoso domingo de Setembro, decidi baixar o piloto da vencedora do Emmy de Melhor Minissérie Dramática, “Downton Abbey”. Eu já comentei aqui sobre minha paixão por histórias de época e fazia um bom tempo que não procurava novidades do estilo. Além disso, que mal faria assistir uma minissérie com apenas sete episódios? Não afetaria em nada a minha (já lotada) watchlist, certo? Errado.
A chamada minissérie não é exatamente mini. Ela não apenas continua após o 7º episódio, como tem temporadas complementares. Tudo seria muito mais fácil de suportar se a história não exercesse alto nível de dependência, fazendo esta que vos fala assistir a primeira temporada inteira em um único dia. É claro que, para que este vício surte efeito, você precisa pelo menos gostar de um bom drama de época. Mas, a produção é tão boa, que suspeito que, até aqueles que roncam ao ouvir a palavra “época”, se sentirão presos à história.
Produção britânica do canal ITV, “Downton Abbey” conta a história de uma casa, ou melhor, de uma propriedade, a tal Abadia Downton do título. Localizada em Yorkshire, Inglaterra, ela é descrita pelos olhos das pessoas que frequentam o local: tanto seus habitantes (a família Crawley, formada pelo Conde de Grantham, Robert, sua esposa americana, a Condessa de Grantham, Cora, e suas filhas Lady Mary, Lady Edith e Lady Sybil), os visitantes (como a matriarca da família Crawley, a Condessa de Grantham, e os primos Matthew Crawley, e sua mãe, Isobel Crawley) e a extensa equipe de criadagem (como o mordomo Charles Carson, a governanta Mrs. Elsie Hughes, entre outros).
É claro que as intrigas e questões do dia-a-dia de uma casa aristocrata do início do século XX já, por si só, seriam interessantes de se acompanhar. Porém, o autor Julian Fellowes acrescentou o impacto de acontecimentos históricos que, de alguma forma, interferem na vida dos personagens e, consequentemente, em Downton. A primeira temporada começa logo após o naufrágio do Titanic, onde morre o único herdeiro homem da propriedade, fazendo com que a família procure um substituto para o cargo. Já a segunda é ambientada durante a primeira Guerra Mundial, quando os homens da família e da criadagem devem deixar seus postos para lutar. Tudo isso acompanhado de um roteiro robusto, fotografia e direção de arte de tirar o fôlego, cortesia do castelo de Highclere, em Hampshire, onde são filmadas todas as cenas externas e a maioria das internas da casa.
Uma série de ensemble não seria nada sem o poder de personagens marcantes e performances à altura. Com um elenco tão espetacular quanto este, fica difícil enumerar apenas alguns nomes, mas se existe alguém que merece ser citada, é Dame Maggie Smith (a professora Minerva McGonnagal de “Harry Potter”). Extremamente tradicionalista e sarcástica na pele da Condessa de Grantham, são dela as melhores tiradas e alguns dos momentos mais hilários do roteiro.
E, é claro, a parte shipper está presente. O romance entre a camareira Anna e o valete John Bates é emocionante, Lady Sybill e o motorista Branson são a coisa mais fofa, mas nada se compara à montanha-russa de emoções de Lady Mary e Matthew Crawley. É o tipo de história de amor de pegar seu coração, cortar em pedacinhos, jogar na fogueira, e você ainda pede mais. Extremamente romântico na teoria, mas dolorido demais na prática… Você sabe que eles vão ficar juntos, mas sempre acontece alguma desgraça que os impede. Porque esses dois são tão cabeças-duras? Porque não percebem que se amam, e devem ficar juntos? Porqueeeeee?
I’m ok.
O resultado de tudo isso foram os frutos. Além dos 6 prêmios Emmy, que apresentou a série ao mundo, “Downton Abbey” entrou para o Guinness Book 2011 de “Maior Avaliação da Crítica para um Programa de TV”, batendo os favoritos “Mad Men” e Modern Family”, e tornando-se o primeiro programa britânico a vencer este prêmio.
Precisa de mais referências? Ok, deixo-lhes acima o trailer da primeira temporada, ao som de “Every Breath You Take”, do The Police, interpretado pelo coral Scala & Kolacny Brothers (Sim, o mesmo do já lendário trailer de “A Rede Social”).
Hanson no Brasil

No início do novembro, fui ao show da banda Hanson, no Citibank Hall, em São Paulo. Sim, você leu direito: Hanson, aquele trio de irmãos loirinhos que dominava as paradas de sucesso no final dos anos 90. Não se sinta desatualizado por não saber que a banda ainda existia. Aliás, essa foi a pergunta que eu mais ouvi quando comentava sobre o show: “Eles ainda existem?”. A segunda mais popular era: “Aqueles pirralhos?”, acompanhada de um olhar de incredulidade. A terceira era uma gargalhada.
O problema é que, após romperem com a gravadora em 2003, eles ficaram fora da mídia por um bom tempo. Aí o povo acha que eles continuam crianças, fazendo o som pop-chiclete que os lançou. Nada disso. Os meninos casam, multiplicaram-se (a família é bem numerosa), e lançaram mais dois álbuns por uma gravadora própria, a 3CG Records. Hoje, com respectivamente 31, 28 e 26 anos, Isaac, Taylor e Zach voltaram ao Brasil com a turnê de seu mais novo CD, o empolgante “Shout It Out”.
Eu nunca fui fanática pelo trio, mas sempre vi potencial nos meninos, tanto que tenho o primeiro CD, “Middle of Nowhere”. Talvez pelo fato de, mesmo tão jovens, eles tocarem e comporem suas próprias músicas, o que os diferenciava das boybands da época. O tempo passou e não se ouviu mais falar deles. Então, certo dia, eu vi no twitter que estava rolando o livestream do show de lançamento deste último CD. Não estava fazendo nada mesmo, decidi conferir. Resultado: o show nem tinha terminado e eu já estava caçando um link para download do CD, de tão bom que era. Ou melhor, é! Um som maduro, com influências claras de R&B e soul dos anos 60, nada parecido com o que eles costumavam fazer. Por isso, quando foi anunciado que um dos shows desta turnê seria em São Paulo, resolvi que tinha que conferir de perto.
Todo mundo aqui sabe que eu adoro uma manifestação de tietagem explícita. Já estive presente em várias situações do tipo, desde uma apresentação de Backstreet Boys no Anhembi até a fila do show de McFly no Via Funchal. Eu não sei se foram os 14 anos de espera, que deixaram suas fãs extremamente ansiosas, ou se a paixão pela banda é tão intensa, mas este show não se compara a nada que eu tenha presenciado antes. Esta foi, sem dúvida nenhuma, uma das experiências mais loucas da minha vida tiete.
Começando pela imensa fila, que dava literalmente a volta no quarteirão, passando pela correria quando abriram a porta da casa, e chegando ao empurra-empurra e gritaria assim que eles entraram no palco (que fizeram me afastar até quase o final da pista). Considere também que não tinha nenhum adolescente lá: a faixa etária do público era 20/30 anos, idade média de quem curtiu o som dos caras desde o início. E vocês acham que eu estou reclamando? Hell no!
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Foi fantástico ouvir o coro de 3 mil pessoas cantando, sem exceção, todas as músicas do setlist. A energia era indescritível, como se uma aura de amor incondicional inundasse o local. Isso sem contar o calor, que fizeram Isaac indagar se era por causa “de todas as lindas garotas brasileiras” que estavam lá. Oh, Ike… Such a cliché. *rolleyes*
Por falar nele, deixe-me contar uma coisa. Confesso que sempre tive uma queda pelo irmão mais velho. Não sei se era porque regulamos na idade, ou se era a identificação por entender sua timidez e seriedade… O fato é que, seguindo a infalível “teoria do vinho”, o irmão mais velho cresceu, apareceu e… Uau! Sim, Taylor continua hipnoticamente lindo e Zach é super divertido, mas Isaac leva o prêmio de mais charmoso da banda. Elegantíssimo em terno grafite e simpático ao comandar a maioria das interações com o público, ele conquistou muita fã que nunca tinha reparado nele antes. Estão vendo? Nunca subestime o tímido. |
No setlist, tanto músicas recentes, como o single “Thinking About Something” e a dançante “And I Waited” (que me lembra muito o estilo do Maroon 5), quanto os clássicos “Where’s the Love”, “Penny and Me”, “If Only”, entre outros. Só senti falta de “I Will Come to You”, pois foi a música que, lá em 1997, me fez parar para prestar atenção nos meninos. Porém, tudo compensou quando Zach pegou o violão e apresentou uma versão acústica de “Go”, minha música favorita do trio. E sim, eles cantaram “MmmBop”, e foi a loucura que vocês imaginam. Até eu saí do chão!
Ainda na fila, as meninas do fã-clube distribuíram papéis com os símbolos que ilustram a capa do CD “Shout It Out” (megafone, nota musical e rádio). O objetivo era levantar esses papéis durante a música “Give a Little”, formando um belo espetáculo visual na platéia. Foi lindo de se ver! É admirável presenciar uma fanbase tão ativa, depois de tanto tempo, considerando que os caras não tocam mais nas rádios e continuam fora da mídia por aqui.
Assim que terminou o show, fomos comer alguma coisa e tentar baixar o nível de adrenalina que sentíamos. Como eu disse no início, eu nunca fui fanática por eles, mas posso dizer que, a cada dia que passa, me considero mais fã. Se você me perguntar o que de tão fantástico teve neste show que deixou tanto impacto em mim, eu te respondo só uma coisa: música. Nada de cenário, bailarinos, malabarismos, show pirotécnico e o escambau. Ah sim, e nada de playback. Apenas uma bateria, uma guitarra, um piano e muito talento. Precisa mais? É revigorante perceber que ainda existe qualidade no pop atual.
Nota mental de Fabi: Caso queiram ler a review de uma fanática de verdade, minha amiga Mary pode te ajudar. Veja aqui.
Fotos: Viridiana Brandão
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New Girl

Assim que assisti à primeira promo da nova comédia da Fox, “New Girl”, me interessei na hora. Além de ter uma queda por comédias românticas e adorar o estilo indie-geek-cool de Zooey Deschanel, a idéia de uma garota dividir um apartamento com três rapazes, apesar de batida, me pareceu super divertida. Porém, passados alguns episódios, percebi que minha inicial concepção estava errada.
A trama não pretende desvendar os mistérios do universo masculino, representado por três famosos estereótipos (o esportista, o conquistador e o bom moço), mas criar identificação com um tipo específico de garota: a nerd. Mas não pense que ela é uma versão feminina dos viciados por informática, games e quadrinhos que já conhecemos. A protagonista, Jess Day, apesar de esquisita, vai um pouco além do clichê.
O grande trunfo da série é que, até o momento, a maioria das protagonistas da TV americana ainda era representada como linda, sexy, independente e descolada. Do tipo que, mesmo que sofra horrores por amor, é difícil acreditar que teria dificuldades em encontrar alguém (tão maravilhoso quanto o anterior) em, digamos, menos de cinco episódios. Porém, essa é uma realidade completamente distante da maioria do público feminino que, apesar de adorar visitar o mundo de fantasias de vez em quando, no final do dia, não sente a mínima identificação. A gente continua se sentindo um tanto quanto desajeitada demais pro nosso gosto.
Então, conhecemos Jess: professora, usa roupas clássicas, cabelos comuns, toca xilofone e adora trabalhos manuais. É nerd o suficiente para citar “O Senhor dos Anéis”, ou passar uma noite de sexta-feira assistindo clássicos dos anos 80, e romântica ao ponto de soluçar com a cena final de “Dirty Dancing”. Mesmo que a personagem venha no pacote de Zooey Deschanel e seus vibrantes olhos azuis, ela nem de perto faz o tipo sexy. Ou seja, Jess é a já conhecida girl next door, acrescida de uma boa dose de esquisitises típicas do estereótipo. Tudo parece perfeito, não? Bem, nem tanto…

Hollywood está tão acostumada a glamourizar a imagem de suas protagonistas que, quando surge alguém com potencial para ser “gente como a gente”, eles transformam o que deveria ser adorável em estúpido. Não sei se a culpa é do roteiro, que banaliza a imagem da garota nerd (porque diabos citar um dos maiores ícones pop é considerado broxante?), ou se a interpretação exagerada de Zooey a transforma em uma caricatura, mas o negócio é que, ao invés de me sentir representada, frequentemente Jess me dá vergonha alheia. É claro que, se tratando de uma comédia, são obrigatórios momentos embaraçosos e tiração de sarro da protagonista, mas não precisava transformá-la em quase uma Michael Scott de saias, né? Ser nerd não significa ser “sem noção”. Ou significa?
Porém, de alguma maneira, eu continuo assistindo. Esse não é um ótimo precedente, pois sou daquelas que demoram para desistir de algo, mas quando ela não me faz facepalm ou indagar “WTF?”, eu até que me divirto com suas trapalhadas. A relação dela com os meninos é super fofa, e shippar Jess e Nick (o tal bom moço) é praticamente inevitável.
Um dos últimos episódios que assisti teve a participação especial do ator Justin Long, o que me fez torcer para que Zooey tenha a brilhante idéia de trazer Joseph Gordon-Levitt também. (Please, Zooey! Please, please, pleeease!) E quem sabe, como o tempo, os produtores diminuam os excessos e consigam construir uma imagem mais realista da nerd. A TV americana soube representar tão bem os garotos, com personagens como os meninos de “The Big Bang Theory” e “Chuck”, quando será nossa vez? *sigh*








